domingo, 22 de agosto de 2010

Um Ano

Era amor maior. Maior que todas as estrelas.
Foi assim que você disse, eu não esqueci.
Eu não esqueci...
Faz tanto tempo e você ainda aqui. Ainda repito seu nome para falar de amor. Ainda rindo das suas piadas. Ainda apertada no seu abraço. Por que ainda não voltou?
Um mês, três meses, dez meses... Hoje faz um ano. Um ano respirando o vazio que deixou.
Você foi embora, eu fiquei. O amor ficou, amei sozinha.
Eu me fazia para você, meu gostar te pertencia.
Se refez tão logo, mudou de cor. Te ver amando outra pessoa, suas mãos seguram as mãos dela. Você se esqueceu das estrelas.
E hoje, aniversário de um ano. Um ano sem você. Não falo, não grito, nem ligo ou pergunto.
Aceitei. Quase perto, vejo o fim. Nada é tão ruim, tão doloroso que não possa acabar.
Você nunca vai voltar, nem vestido de outro personagem, afinal, como poderia eu olhar-te e não lembrar? amigo, jamais.
As estrelas se apagaram.

O que vale tudo isso ?

No ápice, foram anos até aqui.
Era o que eu queria ser, agora sou. Mas, o que vale tudo isso?
Poder ir sem ter para onde. Ter histórias para contar sem quem as ouça.
Respirar o domingo sem porquê.
Falta um ingrediente, um balanço, uma mistura.
Falta um pedaço fim, indispensável, essencial.
Do que vale tudo isso? ouvir a melhor canção, mas em quem pensar?
Não faz sentido. Para que flores, sorvetes, ternuras, palavras e verão?
Para quem e para onde vão ?
Para quê cinema, luar, surpresas?
Segredos não divididos, sorriso preso.
No ápice, agora sou o que queria ser, porém, talvez tudo seja quase nada.
Excesso de amor-próprio sufoca o lado do amor abandonado.
Não é possível negar: a realização pessoal completa precisa de um encaixe, um cara-coroa, metade. É preciso mãos dadas.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O pior pesadelo

Passei pela sala vi seu sorriso em uma foto. Tantas fotos, tantas historias.
Passei pelo seu quarto e senti seu cheiro, ouvi seus passos, você parecia estar voltando.
E agora? Quem vai me acordar no domingo pela manhã gritando ou cantando ou puxando a minha coberta? Você abria a janela e ninguém dormia mais. Dom de irmão de irritar. Que saudade dessa perturbação terna sua...
Cúmplice, você não contou os segredos que guardamos, não cobrou as apostas que eu perdia, sempre perdoava quando alguém te ofendia.
Eu ainda tinha que colocar aquela musica no seu celular, você me pediu. Te contar da minha evolução no volante, eu sei que iria gostar de saber, me incentivou tanto. Mostrar as fotos novas que revelei do Natal passado.
O presente do Dia dos Pais esse ano você não nos ajudou a escolher.
Tanta gente queria ter lhe conhecido, não sabem eles o que perderam, mas a sua falta é tão grande que até esses sentiram.
Suas roupas, os sapatos, a coleção de bonés, seu chapéu.
A sela encerada como troféu. Olho para suas coisas e elas parecem olhar pra mim. E você parece estar ali. A saudade agora ocupa seu lugar. A hora do almoço sempre vai ter um vazio, uma cadeira sem ocupar. Não haverá um dia que não lembraremos.
Agora você é um anjo, é a estrela mais bonita.
A porta fica meio aberta por que nos ficamos com a impressão de que a qualquer momento você vai voltar e vamos acordar desse pesadelo. O pior pesadelo.

A hora da Estrela


Postado por: Natália Noqueira e Thamires Teixeira


Não vamos pegar nenhuma mala. Que tudo fique para trás.
Não vamos nos despedir de ninguém. Melhor que todos esperem nossa volta. Mas, não sei se voltaremos.
Sairemos de manhãzinha que é quando todos ainda estarão vivendo os sonhos da noite. Quietas, sem barulho. Prometo não acordar ninguém.
Vamos embora, em busca do que é nosso. Do que não é de mais ninguém.
Passo na sua casa, você segura firme a minha mão e vamos sem atrasos. Esteja me esperando, vamos ir de encontro com o que esta faltando. Quanto tempo perdemos procurando por aqui algo que esta distante.
Chegando nesse lugar vou tirar meu sapato e me sentir em casa. Procuraremos incansavelmente por aquilo que nos pertence. Como pode não termos? Aqui as pessoas são iguais e ninguém vai reparar na sua casca. Você não tem casca. Também poderá tirar seu sapato.
Não existem espelhos, falhas, medos. A chuva aqui é feita pra molhar e vamos lavar nossa alma.
Vamos, corra pelos campos e deseje voar. Vamos voar. Aqui não tem limites, poderemos passar do céu, andar sobre o mar. O importante é manter a leveza do ser. É não ser rancoroso, não mentir, não ser leviano. É hora de nos livrarmos de tudo isso.
E podemos ir apanhar aquelas flores, as de setembro. As nossas flores. E elas nunca mais irão murchar. E nunca mais cair, se degradar ou se misturarem com o restante da vegetação.
Mas quem é o dono desse lugar? Melhor falarmos com ele. Pedirmos para ficarmos. É só prometermos não comer nenhuma fruta. Nem morango e nem uva, que dirá da maça?!
Jogaremos pedra nas estrelas, para vê-las cair; só para fazer um pedido. Sempre realiza.




***



Não olhei pra trás e nem quis saber em qual direção deveria seguir, o importante foi que ao nos darmos as mãos, nada mais seria como antes.
Malas e lembranças deixadas de lado juntamente com todo peso, faziam-nos sentir toda leveza de um vôo sem a necessidade de asas inventadas, a carcaça sendo deixada de lado para que as essências tomassem formas únicas, se espalhavam e reinventavam uma vida nova, para aquele nosso mundo novo.
Caminhar por entre as estrelas nunca foi tão fácil, não acha ?! Deitar sobre as nuvens sem necessárias preocupações foi magnífico, só eu e você as únicas capazes de agora mergulhar em nossos próprios anseios de liberdade e contradições com o mundo que abandonamos.
O meses passam e somos felizes por sermos quem somos de verdade, não precisamos mais nos esconder atrás das máscaras, você agora até acha graça de cair quando o sonho é muito alto ... mas não precisamos ter medo do chão ele supre a necessidade do sonho perdido em dobro .
Brincamos de inventar histórias, porém aqui elas se tornam realidade, e então você sorri pra mim e eu sorrio de volta pra você e isso se torna a coisa mais natural e pura do mundo com o passar do tempo.
Sorrisos sem o gosto amargo de nostalgia, sorrisos únicos que a cada dia se reinventam, nós nos reinventamos e não somos mais julgadas por isso nem por ninguém, afinal cada um ali respeita a nossa essência.
Fomos pra bem longe de todo sarcasmo e agora nos deparamos com a empatia estampada no rosto de cada um, fomos pra bem longe da mentira e agora nos deparamos com toda a verdade que nos acolhe, fomos pra bem longe mas pra bem longe mesmo de um mundo em que ligava para aparências e agora nos encontramos em um lugar onde a nossa essência é mais válida do que qualquer riqueza material.
O setembro é nosso, e as flores são regadas pelo amor que você deposita em cada uma delas, eu não vejo mais tristeza em seus olhos e você também não vê nenhum vestígio de tristeza nos meus, choramos mas as lagrimas estão saindo limpas e sem as partículas de dor, saudades ou ódio que antes as tornavam impuras. Somos tão livres quanto os pássaros que agora sobrevoam o horizonte, e o mais importante : não somos mais presas por nossas próprias crenças.
Perceba que voamos agora todos os dias, limpamos nossas almas com a chuva todos os dias, somos apanhadoras de estrelas e sonhos todos os dia, e como o pouco que possamos ter, se tornar o necessário. Um dia prometemos que iríamos embora de tudo aquilo e conseguimos, somos especiais por aqui ... alcançamos o maior sonho da humanidade : a felicidade .
Sim, agora somos felizes, e isso basta !


PS: Por mais que aqueles devotos sonhos de eternidade tenham sidos quebrados de uma só vez sem ao menos aviso prévio, agora sabemos o quão livre é a vontade de um passarinho, preso pela gaiola em que esse mundo se transformou.
Enfim, a certeza que fica mesmo antes da viagem é a de saber que esse lugar existe tão real dentro de cada um e doloroso admitir que so conhecemos quando chega o fim.
Você é livre, você se encontrou. Agora é estrela, sua hora chegou.








Sing Poetry

Homenagem a nova estrela que agora esta no céu:

'É tão estranho os bons morrem jovens, assim parece ser quando me lembro de você que acabou indo embora cedo demais...
Eu continuo aqui com meu trabalho e meus amigos e me lembro de você em dias assim dia de chuva, dia de sol e o que sinto não sei dizer.
Vai com os anjos, vai em paz!
Era assim todo dia de tarde a descoberta da amizade. Até a próxima vez...
É tão estranho os bons morrem antes, me lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais...
E cedo demais eu aprendi a ter tudo o que sempre quis só não aprendi a perder.
E eu, que tive um começo feliz do resto não sei dizer.
Lembro das tardes que passamos juntos não é sempre, mas eu sei que você está bem agora só que este ano o verão acabou cedo demais...'

Renato Russo